Começa hoje, quinta-feira, 14 de agosto, a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas em São Bernardo do Campo (SP). O encontro visa debater a legitimidade da proposta de invasão à República do Iraque, acusada, até então sem provas convincentes, de possuir armas de destruição em massa por parte dos Estados Unidos da América.
A mesa será composta por representantes de dezesseis países, sendo quinze deles participantes oficiais do Conselho, acompanhados do Iraque, principal interessado na decisão obtida no final da tarde do dia 16, porém sem direito ao voto. As cadeiras permanentes são ocupadas por Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China e França. Por sua vez, as não-permanentes serão ocupadas por Alemanha, Angola, Bulgária, Camarões, Chile, Espanha, Guiné, México, Paquistão e Síria. O encontro terá duração de três dias, sendo que dois deles dedicados ao debate entre os delegados.
É esperado que os países façam coligações de acordo com seus respectivos interesses mesmo antes do início das discussões, sendo que a divisão deve ser majoritariamente entre nações imperialistas com tendências pró-invasão e nações cujas idéias se opõem a possibilidade da mesma. Baseados na crença de luta pelos ideais que representem sua pátria, como "paz, liberdade e democracia", a nação estadunidense deverá apoiar de maneira intransigente a intervenção preventiva no território iraquiano, violando as normas vigentes internacionalmente de respeito à soberania dos Estados nacionais sobre seus territórios. Em contrapartida, outros países deverão adotar postura que defenda a multilateralidade nas relações internacionais, como a Rússia.
Observando o histórico das reuniões do Conselho de Segurança da ONU, é recorrente a submissão dos direitos internacionais e humanitários aos interesses particulares da nação hegemônica ocidental norte-americana. Essa tendência tem grandes chances de se repetir, e as consequências serão mais uma vez impostas a um país independente e soberano considerado "sem voz" no cenário mundial. Quando abrirão os microfones para que eles possam falar? A comunidade internacional terá que ter paciência se esse dia chegar, pois as críticas a essa democracia imposta precisarão de muito mais do que apenas dois minutos de discurso para serem, no sentido não alterado da palavra, libertas.
Da redação,
@AlJazeeraSimula
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